Na tarde desta quarta-feira, 11/07, o site oficial da 18ª edição do FISL - Fórum Internacional Software Livre - sofreu um ataque de defacement, tendo seu conteúdo substituído por uma mensagem contrária à participação de movimentos feministas e ao projeto GNU no evento.

Só li verdades.

O autor da mensagem parabeniza a realização da 18ª edição mas pede aos organizadores que parem com a "palta" (sic) estúpida de feminismo geek e sugere a execução de um comando uname para suprimir o nome GNU das distribuições de Linux. O atacante, inclusive, promete, na mensagem, repetir o feito no ano que vem.

Em resposta, a ASL publicou uma nota no site do evento e, também, em sua conta no Twitter, na qual repudia o ataque:

Na tarde desta quarta-feira, o site oficial do FISL foi hackeado. Os autores do ataque veicularam na página ataques ao movimento feminista e à posição da Associação Software Livre.ORG (ASL), promotora do evento, de apoio à pauta dos direitos das mulheres.

A ASL repudia veementemente este ataque. Desde a sua criação, o FISL tem compromisso com a participação feminina no evento, incentivando-as na busca pelo seu crescimento neste segmento. Vale lembrar, o FISL foi pioneiro no Brasil na implantação de uma política anti-assédio, iniciativa replicada por vários outros eventos da área.

O FISL incentiva a participação e o protagonismo das mulheres, ministrando palestras e oficinas, valorizando perfis diversos, tais como desenvolvedoras, ativistas, pesquisadoras, professoras, autoras de livros técnicos, jornalistas, gamers entre outros, apostando no público feminino para gerar boas discussões e compartilhar conhecimento.

Ataques como este não nos farão voltar atrás. A ASL reitera a necessidade de continuar combatendo o atraso do machismo e todas as consequências que este e outros discursos de ódio trazem para o mundo.

Associação Software Livre.ORG

Vale lembrar que, há alguns anos, o FISL passa por dificuldades financeiras para se manter, tendo cancelado, inclusive, a edição do ano passado por falta de patrocinadores e após uma desastrosa campanha comunitária de arrecadação de fundos. De fato, já há alguns anos o evento tem dado um certo grau de prioridade a palestras sobre movimentos sociais, ativismo e educação, bem como a trilhas apoiadas em pseudociência, em detrimento de conteúdo técnico, o que vem desagradando entusiastas do software livre e open source e afastando antigos participantes. Em 2015, houve uma forte campanha, por parte de um conhecido ativista, para que o evento não utilizasse Ubuntu em seus computadores, o que talvez tenha contribuído para o afastamento de grande parte dos potenciais participantes. Outra reclamação frequente é o fato de o evento sempre ser realizado em Porto Alegre, o que dificulta a vinda de pessoas interessadas do resto do país.

Será que, com esse ataque e os demais antecedentes, já não está na hora de a ASL parar para pensar em sua trajetória e tomar novas decisões estratégicas para a próxima edição?