Durante anos o desenvolvimento do kernel Linux vem se preparando para o ano 2038 e esta tarefa continua em execução na janela de merges da versão 4.18.

Para os que não estão familiarizados com o problema, os sistemas Unix-like utilizam um padrão de tempo chamado Unix time-stamp que começa em 1 de Janeiro de 1970 e quem (ainda) utiliza um signed int 32-bit para armazenar data terá o último segundo marcado em 19 de Janeiro, hora 03:14:07 UTC. Quando o bit do próximo segundo for virado os sistemas voltarão para a data original e comportamentos não adequados podem ocorrer com os softwares.

Como o kernel Linux possui cerca de 20 milhões de linhas de código, mitigar este problema de forma que englobe todas as arquiteturas de processador suportas não tem sido uma tarefa fácil e continua gerando novos merge requests. As partes do Kernel que precisam de adequação devem adotar o mecanismo COMPAT_32BIT_TIME e fazer limpezas de código que geram bastante trabalho. O último merge request que se tem notícia implementa tal mecanismo para SySV IPC UAPI.

Y2K38 é tão grave assim?

Pode parecer um exagero mas não possuímos "emuladores de catástrofes" que possam avaliar os riscos e a extensão dos danos de uma CPU embarcada em operações de uma usina ou de equipamentos médicos(marca-passo) usando um Unix-like vulnerável ao y2k38, como foi explicado pelo Theo de Raadt na EuroBSDCon de 2013. O OpenBSD 5.5 foi um release especial deste OS tratando da conversão do tempo para 64 bits em todo o sistema, motivo pelo qual o Theo bateu bastante nesta tecla em 2013 e 2014 e cobrou uma atitude de outros sistemas operacionais abertos.

Outro detalhe: Mesmo com o surgimento de novos processadores 64 bits o 32-bit ainda é o rei dos embarcados quando se trata de equipamentos de rede. Alguns destes dispositivos possuem um hardware contador 32bit signed para armazenar a data e a troca de signed para unsigned não é trivial e exigiria no mínimo a implementação de um contador por software que adicionaria 1 bit de sobrevida(68 anos) ao dispositivo, tentando gerar um overhead menor que uma implementação de tempo de 64 bits. É claro que esta solução não passa de uma gambiarra que poderia aumentar consideravelmente a latência em sistemas críticos como microcontroladoras e dar uma dor de cabeça grande para propagar esta solução para o restante dos dispositivos.

Esta matéria do site LWN também explica detalhes das falhas que softwares essenciais para o Linux terão se nada for feito nestes "apenas 20 anos" que restam para corrigir o problema.

Fonte: Phoronix

 

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Após uma semana de intensos rumores, a venda do popular repositório GitHub para a Microsoft foi confirmada pelas duas empresas (veja aqui e aqui). De acordo com Satya Nadela, presidente da gigante de Redmond, "a Microsoft é uma empresa que dá prioridade aos desenvolvedores, e ao juntar forças com o GitHub, nós fortalecemos nosso comprometimento para com a liberdade do desenvolvedor, abertura e inovação". A empresa vai adquirir o GitHub por US$ 7,5 bilhões, em forma de ações na companhia. A aquisição deverá ser concluída no final do presente ano fiscal nos EUA.

 

 

No entanto, a notícia preocupou usuários, entusiastas e ativistas do software livre e open source, que não vêem a fusão com bons olhos, dado as atitudes passadas da empresa. Pouco após o anúncio oficial, a empresa concorrente GitLab anunciou no Twitter que estava vendo uma quantidade de migrações diárias de repositórios do GitHubn para o seu serviço dez vezes maior do que o normal. Os desenvolvedores do popular software livre de edição de imagens Gimp também anunciou a migração para esse serviço. O Sourceforge, que já foi uma referência e teve uma fase ruim, também aproveitou para se apresentar como alternativa.

Motivos para desconfiar é o que não faltam, afinal estamos falando da empresa que, no passado, mais antagonizou a cena software livre e open source. Seria esse um movimento estratégico ou o prenúncio do fim de um grande serviço? Deixe sua opinião abaixo.

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Christian F. K. Schaller, do GNOME, revelou que a Dell e os desenvolvedores da Red Hat estão trabalhando juntos para adicionar suporte ao Dell Canvas no kernel do Linux.

O Dell Canvas é uma tela e tablet gráfico de 27 polegadas que suporta 20 pontos de toque, caneta stylus da Wacom e possui o seu próprio discador de entrada, que pode ser colocado na tela e girado para fazer ajustes finos na aplicação.

Se o suporte do Linux para o Dell Canvas amadurecer, os profissionais criativos poderão usar o Linux (e o software de fonte aberta) em tempo integral em seu fluxo de trabalho, diminuindo assim o argumento sobre “precisar” de software proprietário para fazer um trabalho profissional.

E se mais pessoas estão usando o Linux para necessidades profissionais, então mais pessoas podem estar optando pelo RHEL (Red Hat Enterprise Linux) como sua plataforma preferida. Isso faz com que a Red Hat ganhe dinheiro e, assim, garante que a empresa possa financiar outros esforços mutuamente benéficos como esse.

Atualmente, o Dell Canvas custa pelo menos US$ 1.800,00 (R$ 6777,54 em conversão direta, sem impostos).

Fonte: https://www.omgubuntu.co.uk/2018/06/dell-canvas-linux-support-coming

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O mais recente projeto de núcleo de processador topo de linha da Arm - o Cortex-A76 lançado no último dia 31 de Maio - é o primeiro processador da empresa a rodar apenas códigos com instruções 64-bit a nível de kernel, segundo seus criadores.

Para deixar claro, o processador vai suportar programas escritos em 32 e 64-bit para ARM, mas nos níveis privilegiados do kernel do sistema operacional, como drivers, hipervisores e assim por diante, o Cortex-A76 suportará apenas instruções de 64-bit. Isso irá simplificar o design da CPU, liberando espaço no chip para outros recursos ou reduzindo potencialmente o consumo de energia.

Fonte: https://www.theregister.co.uk/2018/05/31/arm_cortex_a76/

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O que acontece quando um arquivo é executado? Qual o real significado da palavra executável? Como o Linux faz distinção entre binários, scripts e tipos customizados de executáveis?

Se você quer saber um pouco mais de como tudo isto funciona e deseja aprender em quais partes dos fontes do Linux a decisão entre executável e interpretador (binfmt) é feita, olhe a fonte deste artigo.

Tempo de leitura aproximado: 20 minutos.

Fonte: The real power of Linux executables

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No próximo dia 09 de Junho ocorrerá o Release Party do Fedora 28. Venha celebrar com a comunidade o lançamento dessa versão e conhecer mais sobre o projeto, além de fazer networking e contribuir com o projeto Fedora.
 
 
O evento será realizado no escritório da Red Hat em São Paulo e começará as 10 horas. As vagas são limitadas, então não percam!
 
Ingressos estão disponíveis na Fonte da matéria (grátis).
 
Local do Evento: Escritório da Red Hat SP - Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3900, 8o. Andar, Itaim Bibi São Paulo, SP
Fonte: Sympla
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Este é o terceiro dispositivo da Minifree Ltd a receber o selo Respects Your Freedom. O Libreboot X200 (remanufaturado do ThinkPad homônimo) é um híbrido de tablet/laptop com Libreboot e Trisquel pré-instalados.

Por ser um dispositivo certificado RYF, o usuário tem a garantia da Free Software Foundation que nenhum blob desde o nível da BIOS é necessário para o funcionamento do dispositivo. O Libreboot desabilita qualquer tecnologia criadora de um vetor de ataque e espionagem num nível mais baixo que o sistema operacional como o Intel Management Engine e o AMD PSP, apesar de possuir um hardware um pouco antigo (Core 2 Duo SL9400, Intel GMA 4500MHD graphics, chipsets Intel GM45 e ICH9).

Loja Minifree: Libreboot X200 Tablet

FonteMinifree Libreboot X200 Tablet now FSF-certified to Respect Your Freedom

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CVE-2018-11235 foi anunciado para um novo e sério bug revelado no git.

Em um arquivo .gitmodules forjado, um projeto malicioso pode fazer a execução de um script arbitrário ao executar git clone --recurse-submodules.

Leia o CVE para maiores detalhes. As versões do git que já possuem a correção são: v2.17.1, v2.13.7, v2.14.4, v2.15.2 e v2.16.4. Atualize seus clientes o quanto antes.

Fonte: LWN.net

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Sobre o Evento:

A Linux Developer Conference Brazil tem o foco de expandir a comunidade Brasileira de desenvolvimento do kernel a nível internacional. Tanto faz se você é apenas um curioso tentando entender o ecossistema Linux, alguém buscando um projeto FOSS para contribuir ou um colaborador experiente, este evento é para você.

Serão abordados temas de desenvolvimento upstream como o Kernel, systemd, containers, wayland, Gestreamer, gcc, llvm, MESA, gdb, bootloaders, qemu, kvm, ChromeOS, tracing, segurança ou qualquer outro componente de baixo nível no mundo Linux. A ideia é priorizar a diversidade de seleção de temas em todos os níveis de dificuldade, e desta forma colaboradores veteranos podem trocar experiências fortalecendo laços com a comunidade, e novos desenvolvedores podem aprender e se beneficiar de todo o conhecimento que será apresentado.

Desde a origem do GNU e do Movimento do Software Livre até hoje o Linux traçou um longo caminho e representa um papel importante em diversos aspectos de nossas vidas, contudo, ainda há muito que podemos fazer e projetos para iniciar. Venha para o linuxdev-br discutir conosco!

Onde e quando será:

https://goo.gl/maps/AysZuyz7Kkw

O evento acontecerá nos dias 25 e 26 de Agosto na cidade de Campinas - SP no Centro de Convenções da Unicamp, Avenida Érico Veríssimo, 500 Cidade Universitária.

Envio de apresentações:

De uma forma resumida, as apresentações podem ser enviadas em Inglês ou Português e as desenvolvidas em língua estrangeira tem prioridade. Podem ser no formato Apresentação, onde o palestrante fala ao vivo durante 45 minutos (incluindo o tempo para perguntas), ou "Lighting Talks" de 5 a 10 minutos de duração. Os assuntos que fazem parte do escopo do evento são:

  • Kernel e drivers
  • Containers e virtualização
  • Servidores gráficos e Ambientes de Desktop.
  • Frameworks multimídia
  • Compiladores e toolchains
  • Bibliotecas gráficas
  • Redes e Protocolos
  • Bootloaders
  • Sistemas Operacionais baseados em Linux
  • Init systems
  • Conectividade
  • Tracing
  • Segurança
  • Testes Automatizados e Integração Contínua
  • Internet das Coisas
  • Comunidade
  • Desafios da Indústria

Para maiores detalhes referentes a prazos, instruções adicionais e processo de seleção das apresentações consulte a página Call for Presentations.

Contato

Contato com a organização do evento pode ser feito através do email  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou no canal #linuxdev-br do irc.freenode.net

Para outros detalhes como inscrição e valores (com desconto para estudantes e estudantes da Unicamp) acesse o site do evento.

Site do Evento: Linux Developer Conference Brazil

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O Wireguard é um software de VPN moderno com foco em agilidade e simplicidade, suportando um número menor de cifras e sem as complexidades que a configuração de outras VPNs exigem. O código do software é bastante enxuto contendo apenas cerca de 5000 linhas no Linux.

O que a quase 2 anos atrás parecia ser uma estratégia ousada de tentar desbancar IPSec e OpenVPN está começando a render frutos.

 

 

Nas últimas duas semanas a equipe do Wireguard botou a mão na massa e lançou clientes para Android (Playstore), macOS (instalação por brew) e OpenBSD. Há também um cliente proprietário para Windows desenvolvido por um terceiro.

Vale a pena dar uma passada na página de quickstart do projeto por ter um potencial de se tornar um padrão de facto num futuro próximo.

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