Entre os dias 2 e 4 de Julho de 2.008, o estado de São Paulo viveu uma situação apocalíptica e, até então, inimaginável: a Telefônica (hoje, Vivo), maior provedor de internet do estado, sofrera uma misteriosa pane que deixaria milhões de usuários do serviço, no maior estado do país, fora da rede mundial de computadores.

 

O ocorrido, como era de se imaginar, foi destaque nas imprensas nacional e estrangeira. Engana-se quem pensa que apenas o pessoal que fica o dia todo na internet foi prejudicado: delegacias, hospitais e vários serviços públicos tiveram suas atividades afetadas pelo simples fato de não conseguirem estar on-line e vários aparelhos que a geração atual consideraria como peças de museu, como aparelhos de fax, tiveram de ser desaposentados:

Na matéria exibida pelo Jornal da Globo, acima, além do relato dos usuários e de empresas, chamam a atenção os diversos computadores com monitor de tubo e Windows NT Workstation 4.0, que já estava ultrapassado para aquela época.

O apagão prejudicou não apenas os moradores da cidade de São Paulo, mas do estado inteiro, inclusive clientes de outros provedores, que utilizavam os serviços da empresa. Essa matéria da Folha relata as dificuldades enfrentadas pelo dono de um pequeno provedor da cidade de Ouroeste e esse post num fórum mostra que até pessoas de outros estados foram atingidas por eventos talvez relacionados ao incidente.

Mas as coisas estranhas estavam só começando. Uma matéria do site da revista Super questionou as causas do ocorrido. De acordo com a reportagem, primeiramente suspeitou-se de problemas nos servidores de DNS da operadora, visto que alguns usuários relatavam conseguir navegar normalmente ao configurar servidores alternativos e, após a normalização dos serviços, outros usuários começaram a receber endereços de IP dos EUA. Essa série de eventos apontaria para possíveis problemas nos servidores DNS e DHCP da operadora. Nisto, levanta-se a questão: teria sido um ataque hacker?

Até hoje, ninguém sabe. O site br-linux publicou uma matéria com o resultado do laudo oficial, que apontou "um defeito de hardware originado em uma placa de interface óptica que liga um roteador, localizado na cidade de Campinas, a um outro roteador, localizado em Sorocaba" como a causa do problema e, em entrevista ao G1, o então presidente do grupo no Brasil, Antônio Carlos Valente, descartou a possibilidade de um ataque hacker.

Mas nem todos ficaram satisfeitos com essa explicação. A supracitada matéria da Super aponta para o fato de que, em Fevereiro daquele ano, a operadora teria decidido terceirizar seu setor de manutenção, "e, com isso, demitir 1 000 pessoas. “São funcionários das áreas de instalação e manutenção de serviços como o Speedy, fibras ópticas e dados”. Teria sido, então, esse evento uma sabotagem por parte dos empregados insatisfeitos?

Talvez nem a Telefônica/Vivo saiba. Mas o mais importante é: quais garantias temos hoje, dez anos depois desse ocorrido, que um evento como esse não voltará a se repetir - e ter consequências mais graves?

E você, leitor: foi afetado por essa pane? Conte sua experiência nos comentários!